terça-feira, 24 de junho de 2008

Uma estranha cadência

É alucinante. O bombardeio, o fluxo, as mensagens, são meteóricas. Passam por mim como vento, com aqueles grãozinhos de areia insistindo em perfurar a pele. Tentam me levar pra trás, mas eu resisto. Até que resolvo saltar, e viajar com eles. Uma luz perturbadora invade o meu estômago, de baixo pra cima, até fazer tudo virar de cabeça pra baixo, e girar, e girar. Sou um pedaço de luz, cadente, viajante, livre. Informação.
Sou levado pelo vento, uma viagem louca, translúcida, transversal e horizontaldina, com muito fervor de adrenalina. Até que consigo alcançar uma pequena foto três por quatro, e

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tudo escuro, o tempo pára. Nesse momento, somos só eu e ela. Na foto, seus olhos me dizem uma única mensagem. Uma profundidade inalcansável de um olhar. Tudo gira, é apenas um globo da morte. Então mergulho na foto.

Eternidade.

É uma estranha tensão entre o ser atemporal e o estar instantâneo. Um leve arrepio que percorre desde a infância até a efemeridade de uma ruga. De repente, tudo parece tão obsoleto. Volto à cena de uma leve troca de carinho, um olhar, no canto de uma sorveteria. Sou fragmento de eternidade, digitalizado, impresso, reticulado, imortal. um pedaço de papel voando a percorrer o mundo inteiro junto com as folhas secas. Um amontoado de dados a se reconfigurar numa rede infinita de significados. Um breve sorriso, espontâneo, artificial, arrepiante. Um quase gemido de felicidade. E não vivi. Feliz. Para sempre.

Um comentário:

Luana Lopes disse...

Cada palavra me puxou como uma nuvem enfeitiçante no céu a chamar de um pouco de nostalgia, para as nossas memórias, brincando em cada mente/coração. E a única coisa que nos separa em tudo isso, é a relativação de nossas experiencias que por sua vez são associadas a uma outra memória através de uma estimulação onde a adrenalina e a serotonina andam juntas, como uma droga.

mas os nossos sentimentos ainda são os mesmos, a cadência é só um detalhe crônico em nossas vidas.