sábado, 28 de junho de 2008

O Poder

Já se foi o tempo em que você entrava numa sala, sentava numa cadeira, e os soldados te amarravam e ameaçavam. Os tempos mudaram. Hoje, a gente obedece sorrindo. Quem detém o poder simbólico nos convence, sem que a gente nem perceba, que é natural estarmos na posição de dominados. Somos adestrados pra isso, e a cada vez que obedecemos, ganhamos um biscoitinho canino como recompensa. Nada contra biscoitinhos caninos... alguns até que são bem gostosos (com leite condensado, então, delícia, rapaz!). Não reparem nas minhas estratégias enunciativas capengas, é que o sono já está a me penetrar. O café tá borbulhando no meu cérebro, negro como a noite, escuro como as profundezas dos meus sonhos... quero mergulhar na primeira forma horizontal que se materializar na minha frente, e me tornar esse tijolo gelado de trevas. Placebo. Gosto de ouvir. Ainda mais nessas horas, que tudo o que a gente pensa acaba virando espuma, algodão, almofadas, penugens, roupas de cama, maciez, profundidade, espera, viagem, tortura. Deixa eu vazar, que ainda tem muito café pela frente.

Um comentário:

Larissa disse...

Ia ser a letra da minha ex-banda, composição minha.
Obrigada!
Não sabia que tinhas blog, vou adicionar teu link por lá.
Beijos, rapaz.
E sempre és bem-vindo.

http://jardimdainsanidade.wordpress.com/